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As vendas da 02 quadruplicaram desde 2004 LUIS EFIGÉNIO

Viagem ao reino das sucatas de Manuel José Godinho

Por Mariana Oliveira

O empresário de Esmoriz é um exemplo do self-made man português e começou a trabalhar cedo no armazém de ferragens e de ferramentas do pai


Reportagem

O grande conjunto industrial moribundo e cinzento destaca-se na paisagem, contrastando com os sinais de ruralidade que o rodeiam. Estamos em Canas de Senhorim, Viseu, onde ficam as instalações industriais da principal empresa de Manuel José Ferreira Godinho, a O2- Tratamentos e Limpezas Ambientais, SA. Na freguesia com perto de 3500 habitantes poucos ouviram falar do empresário de Esmoriz, que há mais de década e meia comprou a antiga Companhia Portuguesa dos Fornos Eléctricos, uma empresa que ocupava 200 mil metros quadrados e empregava cerca de 600 pessoas. Hoje a maior parte das estruturas serve de armazém e apenas meia dúzia de funcionários lhes dão vida.

Por aqui, Manuel José Godinho, 53 anos, o único preso preventivo do processo Face Oculta, não é um visto como um benemérito, ao contrário do que acontece em Esmoriz ou Ovar. Aos funcionários paga sempre a horas, mas não muito, queixam-se.

O presidente da Junta de Freguesia de Canas de Senhorim, José Pinheiro, a cumprir o terceiro mandato na autarquia, relata alguns amargos de boca nas relações com a sociedade de Godinho. "Não foi propriamente um desentendimento, mas uma posição de força. Há seis anos contactaram-nos porque queriam trazer resíduos industriais perigosos para aqui. Voltaram à carga dois anos depois e tivemos a última reunião um ano mais tarde", precisa o autarca. Mas a insistência do empresário não serviu de muito, diz José Pinheiro: "Fomos intransigentes na recusa. Já temos a nossa reserva de poluição com as Minas da Urgeiriça. Já chega!"

No complexo industrial está ainda instalada uma empresa de computadores de um dos filhos de Godinho, com uma dezena de funcionários e a família recuperou uma casa ali perto. Mas os poucos que os conhecem garantem que passam pouco tempo por lá. Os filhos, mesmo assim, vão lá mais vezes que o pai.

A tranquilidade da O2 em Canas de Senhorim, contrasta com a azáfama da sede da empresa, na zona industrial de Ovar, onde os camiões fazem fila para entrar. Um moderno edifício cinzento de dois andares, quase em frente à Fábrica de Papel do Ave, alberga a sociedade, fundada em 2000. Sem qualquer identificação. Na zona, todos conhecem a empresa como Sucatas Godinho. Mas na realidade tratam-se de empresas distintas: o ano passado a O2 movimentou mais de 34 milhões de euros, ou seja mais do que quadruplicou as vendas desde 2004. Números muito diferentes da Comércio de Sucatas Godinho, Lda, cujas instalações na EN109, mesmo ao lado da Salvador Caetano, estão visivelmente desactivadas. Mesmo assim, no papel, no ano passado, a empresa vendeu mais de 370 mil euros, quase três vezes menos que cinco anos antes.

Na O2 os camiões entram cheios de sucata, descarregam a carga e muitos seguem para um terreno arenoso do outro lado da rua, de onde saem carregados de areia. Funcionários das empresas vizinhas estranham o zigue-zague nocturno de camiões e garantem que é vulgar passarem nas instalações da O2 mais de cem veículos pesados por dia.

Mas a O2 é apenas a mais importante empresa do universo Godinho composto pelo menos por mais oito sociedades. Outra, a PC OLD - Comércio Electrónico de Produtos Eléctricos e Electrónicos Usados, Lda fica a apenas algumas centenas de metros da O2, pela qual é detida parcialmente. Num limite da mesma zona industrial são visíveis dois grande edifícios brancos e azuis. À vista desarmada surge um enorme monte de material eléctrico empilhado como sucata. No interior não se sente a presença de ninguém. "Normalmente costumava ter duas ou três pessoas a trabalhar aqui, mas desde o início do mês que não se vê ninguém", conta o funcionário de uma empresa vizinha, preferindo não se identificar.

Um cenário diferente encontra-se na zona industrial da Taboeira, em Aveiro, onde está instalada a SCI- Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica, SA, outra importante empresa do universo do empresário. Um edifício baixo alberga os escritórios, com um aspecto antiquado. Mas atrás destes ergue-se um enorme armazém onde são visíveis ferros, botijas e fios eléctricos, além de inúmeros funcionários.

Constituída em 1998, com a sede social na primeira casa de Godinho, na Rua da Fonte, em Esmoriz, esta sociedade, tem Maria de Fátima Silva Magina Godinho, mulher de Godinho, no conselho de administração. Não é exemplo único, já que a companheira de Godinho surge na administração de várias empresas, apesar de não parecer ter um papel significativo nos seus negócios. Na Comércio de Sucatas Godinho é sócia do marido com 50 por cento do capital social da empresa.

Os dois filhos de Godinho, Marco Paulo e João Jorge, também trabalhavam com o pai. Pertenciam ambos à administração das Pedras Deslizantes- Comércio por Grosso de Materiais de Construção, SA. Quem com eles lida sublinha que João trabalha mais directamente com o pai, já que o irmão já tinha negócios próprios. Pelos menos duas empresas na área da gestão dos resíduos, uma das quais ligada à reciclagem informática.

Afável, mas controlador. Godinho delegava o que podia, sem abdicar das "principais" decisões. Mesmo que isso fosse dar uma mísera palete de cimento a um GNR que com ele colaborava. Prova disso, é o telefonema do filho João, a 4 de Março, comunicando-lhe que um militar do comando de Ovar pedira outra palete para fechar os olhos na fiscalização. Godinho autorizou a entrega, diz o mandado de detenção da Face Oculta que descreve o empresário como o líder de uma rede que beneficiava o seu universo empresarial. Simples e com poucos estudos, Manuel José Godinho é um exemplo do self-made man português. Começou cedo a trabalhar no negócio do pai, um armazém de ferragens e ferramentas que revendia para as drogarias. Em 1991, monta a sua primeira empresa: a Comércio de Sucatas Godinho, Lda. No final dos anos 1990, já com várias empresas, começa a enriquecer, muito à custa dos negócios que conseguiu com a Expo 98. E constrói um império na área da gestão e reciclagem de resíduos. O seu património integra vários carros topo de gama divide a sua vida entre Esmoriz e o Furadouro, onde possuiu uma grande vivenda.

O dinheiro não é um problema, mas também não o esconde. E na terra onde nasceu partilha a sua fortuna com muitas colectividades. Jacinto Oliveira, comandante dos Bombeiros Voluntários de Esmoriz, dá conta disso. "É uma pessoa sempre disponível para ajudar", afirma. Apoia sempre que é preciso comprar equipamentos ou há outras necessidades, realça. "Mas não é pessoa de aparecer para cortar a fita", diz o comandante. O anterior executivo da junta de freguesia de Esmoriz também já lhe gabou publicamente os feitos, nomeadamente a oferta de uma cadeira de rodas a um desconhecido. Mas os actuais autarcas nada quiseram adiantar a este respeito. Diferente foi a posição do presidente da Junta de Freguesia de Arada, António Jorge, de onde a mulher de Godinho é natural.

"Todos os anos o Clube Recreativo de Arada organiza um passeio de ciclo-turismo e ele dá sempre as camisolas e os bonés, também apoia o Festival de Folclore e o clube da freguesia", relata o autarca, precisando que os valores "não são exorbitantes". Não estranha as ofertas e insiste que são comuns às de muitos outros empresários da região.

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Não interessa!, Ovar, Portugal. 29.12.2009 18:18  
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incrivel

Gostava de conhecer alguém que nunca usou as chamadas luvas brancas. Infelizmente estamos num país que só assim se conseugue ser alguém na vida.

marco, luxemburgo. 27.11.2009 05:06  
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deixem o homem em paz

ja resolveram o freeport????e a casa pia???e o bnp??? deixem o godinho em paz ele so quiz fazer a vida dele e toda a gente sabe que em portugal sem luvas ninguem vai a lado nenhum...

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