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22 de Março de 2011 - 16h29

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Vela
"Os primeiros dois dias foram difíceis, depois o corpo habitua-se"
Por David Andrade, na Cidade do Cabo

A bordo do Turn The Tide On Plastic, Frederico Melo admite alguma ansiedade pela chegada da Volvo Ocean Race ao Oceano Sul

Duas semanas depois de o Volvo Ocean 65 da Mapfre ter demorado 19 dias, uma hora, dez minutos e 33 segundos a percorrer no Oceano Atlântico 7886 milhas náuticas entre Lisboa e a Cidade do Cabo, as sete equipas que competem na Volvo Ocean Race (VOR) 2017-18 partiram ontem da África do Sul rumo à Austrália, onde têm chegada prevista para a véspera ou o dia de Natal. Pela frente, as tripulações terão pela primeira vez os difíceis e frios mares do Índico Sul, e Frederico Melo, que pela segunda etapa consecutiva estará a bordo do Turn The Tide On Plastic (TTOP), equipa com bandeira portuguesa, admitiu em conversa com o PÚBLICO, antes da partida para Melbourne, alguma ansiedade: "Ouve-se sempre falar no Oceano Sul, que é muito frio e onde é preciso cuidado. Vai ser muito duro e um desafio enorme".

Apesar da bonança antes da partida, Frederico Melo está consciente das tempestades que poderão surgir no horizonte. Com 30 anos e um currículo na vela construído exclusivamente em regatas costeiras, o velejador olímpico português está a ter na VOR o seu baptismo numa grande competição offshore. O velejador de Cascais, que a par de Bernardo Freitas fará a quarta etapa entre Melbourne e Hong Kong, admite que os primeiros dias da segunda etapa após a saída de Lisboa foram "os mais difíceis". "Dormir no início foi complicado. Eram apenas períodos curtos e eu estava sempre alerta. Mas, depois, o corpo habitua-se e começa a entrar numa rotina, como uma máquina, com horas certas para tudo", revelou Melo ao PÚBLICO.

Na longa travessia do Atlântico houve, no entanto, "alguns sustos". Apesar de salientar que "a bordo toda a gente tem sempre muito cuidado", ter "velas que pesam 100 quilos a passar de um lado para o outro" impõe respeito: "Chegámos a ficar debaixo de algumas ondas, com a sensação que era fácil cair borda fora agarrado a uma vela. Por ser inexperiente, fico mais alerta".

Prevendo o que vai encontrar nos mares do Índico Sul, onde há a possibilidade de os VOR 65 se depararem com icebergues e onde vão encontrar temperaturas da água do mar pouco superiores a zero graus, o velejador português admite uma enorme expectativa. "Ouve-se sempre falar no Oceano Sul, que é muito frio e onde é preciso cuidado. Vai ser muito duro e deixa-nos pensativos. Vou tentar preparar-me o melhor possível. Será importante manter a roupa quente e o resto logo se vê."

O PÚBLICO viajou a convite da Dongfeng Race Team



Fim

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