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22 de Março de 2011 - 16h29

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Partidos e movimentos
Partido Pró-Vida vai fundir-se com o Chega em Setembro
Por Sofia Rodrigues

O partido liderado por André Ventura foi o primeiro a fazer a rentrée política num jantar-comício ontem, no Algarve. No próximo mês, vai ser oficializada a fusão do Chega com o Partido Pró-Vida

O Chega vai absorver o Partido Cidadania e Democracia-Cristã (PPV/CDC) na próxima convenção, que decorre em Setembro, confirmou o PÚBLICO junto dos líderes dos dois partidos.

A fusão acontece depois de o PPV/CDC ter integrado as listas do Chega nas eleições legislativas de 2019 e também nas europeias em Maio do ano passado, numa aliança pré-eleitoral que incluía ainda o PPM. "Há um projecto político comum desde a coligação com o Chega [sob a designação de Basta!] nas europeias. A defesa da família, o fim da ideologia de género nas escolas e a derrota do marxismo cultural são as nossas grandes bandeiras, que o Chega defende", afirma ao PÚBLICO Manuel Matias, líder do PPV/CDC.

Manuel Matias foi cabeça de lista em Braga pelo Chega nas legislativas de 2019, mas não foi eleito e faz parte do gabinete de André Ventura no Parlamento. Fundado em 2009 com a designação de Partido Pró-Vida, o PPV/CDC inspira-se na doutrina social da Igreja e já se coligou com o PSD e com o CDS em eleições autárquicas. Concorrendo apenas em quatro círculos eleitorais nas legislativas de 2015, o PPV obteve 2659 votos, o que corresponde a 0,05% do total. Nas europeias de 2014, o partido conquistou 11.989 votos, o que significa 0,37% do total.

Em 2017, o PPV fez parte da coligação do CDS para Lisboa que integrava também o PPM e era liderada por Assunção Cristas, e que ficou em segundo lugar na votação, a seguir ao PS. Agora, o partido funde-se com o Chega num processo que tem de passar pelo Tribunal Constitucional. A equipa do Chega está a trabalhar nos detalhes jurídicos para a fusão.

O líder do Chega salienta também que o "percurso em conjunto não é de agora". "Há causas comuns e pontos comuns. Não faz sentido desdobrar esforços partidários", afirmou ao PÚBLICO André Ventura, que é candidato (para já único) nas eleições internas do partido, marcadas para 5 de Setembro. "É evidente que o PPV quer o mesmo projecto político", afirma o também candidato presidencial, referindo que o Chega tem entre dez e 15 mil militantes com quotas pagas. Com uma posição antiaborto muito forte, o PPV tem apenas 200.

Decisão tranquila

Manuel Matias recusa qualquer "oportunismo" na fusão. "Estamos cá desde o princípio. Desde a primeira conversa que tive com André Ventura que ficou muito claro o nosso projecto político. O nosso objectivo era a defesa da vida e isso o Chega garante-nos. Não vale a pena dispersar votos", sustenta, garantindo que a integração no Chega é uma decisão interna "tranquila".

Questionado sobre se algumas propostas do Chega, como a reintrodução da pena de morte ou a castração química para pedófilos condenados, são compatíveis com os princípios da doutrina social da Igreja, Manuel Matias rejeita a ideia. "Em nenhum momento André Ventura defendeu a pena de morte, isso foi um mito que se criou. Mas já há pena de morte quando uma criança morre na barriga da mãe sem ser ouvida", afirma.

O Chega prepara-se para fazer um referendo interno sobre a pena de morte a 5 de Setembro em simultâneo com as directas. Quanto à proposta de aplicar castração química a pedófilos, que o partido queria discutir no Parlamento, Matias considera que não é incompatível com os princípios do PPV: "Não é nada contra a doutrina social da Igreja. É uma ajuda à pessoa numa circunstância de dificuldade porque o pedófilo tem uma vontade que não controla."

A convenção do Chega, onde será formalizada a fusão, está agendada para 19 e 20 de Setembro em Évora. Ontem, o partido realizou um jantar-comício de rentrée, no Algarve, que ainda decorria à hora de fecho desta edição.



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